
Dupla pioneira do electroclash investe num terceiro álbum ainda mais pop. Erra a mão, contudo, ao produzir repertório que soa domesticado e pouco convincente
Não é que o novo do Fischerspooner seja um disco ruim. Na verdade ele tem seus atrativos, e é até agradável de escutar, se você não encanar muito com o fator criatividade. O problema é que soa datado demais, quando nomes da velha escola da vertente electro-synth-pop que eles tentam emular de certa forma aqui, Depeche Mode e Pet Shop Boys, acabam de lançar trabalhos melhor sucedidos. Fato que prova que o estilo continua sendo uma ótima base para experimentar ideias - quando elas brotam.
O que prevalece em Entertainment, se espremermos sua relevância artística, é o entretenimento banal - em trocadilho com o título -, ou melhor, domesticado. Um caminho nunca esperado vindo de uma dupla que é tão envolvida com arte e que, nos idos de 2001, impusera-se como o expoente mais promissor e criativo do terremoto electroclash que sacudiu as pistas do mundo.
Boa parte da graça e do charme daquele electro lancinante, capaz de dialogar tanto com o lado denso quanto com a faceta pop do gênero, não estão presentes aqui. Toda a parede sintetizada de instrumentos usada pelos caras, que com empenho parecem ter se esmerado em conseguir aproveitar amplamente os recursos do teclado, serve para evidenciar os vocais e suas linhas melódicas.
Melodias que, a propósito, colocam em voga a superficialidade das letras, falidas na maioria de suas ironias e metáforas: "I've got supplies, you've got the demand", diz uma linha de "Supply and Demand", numa tentativa de criticar relacionamentos vazios pela lógica de mercado (!) - outro tiro n'água encontra-se em "Infidels of the World Unite", infeliz analogia ao jargão comunista. Quando conseguem escapar dessa tentativa de soar climático e sintetizado à última potência, Warren Fischer e Casey Spooner entregam coisa melhor.
Exemplo é a faixa de abertura, "The Best Revenge", uma suave e animada baladinha mid-tempo, que conta com um baixo robusto e notas alegres borbulhando pelas arestas do sax e trumpete de Robert Aaron, parceiro de Bowie. Em momentos assim, como na seguinte e polidamente soturna "We Are Electric", evoca-se a fase do Fischerspooner que flertava com o techno e se equilibrava na linha tênue do vendável. Há outras faixas gostosas de escutar que seguem parâmetros similares, coincidentemente a terceira, "In A Modern World", e a suja "Amuse Bouche".
Artista: Fischerspooner
Álbum: Enternainment
Gênero: Neo-electro; Synth-pop
Lançamento: FS Studios
Preço: 13,98 dólares
TRACKLIST
1. The Best Revenge
2. We Are Electric
3. Money Can't Dance
4. In A Modern World
5. Supply & Demand
6. Amuse Bouche
7. Infidels Of The World Unite
8. Door Train Home
9. Danse en France
10. To The Moon





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